Viver é não pensar
- 18:58
- by
- Ruben Brito
Estou a precisar de histórias simples. Daquelas estupidamente simples. Básicas, pequenas, lindas.
Que bom. Hoje, era isto mesmo. Não pensar! Que bom que é poder não pensar. Que bom que é poder descontrair sobre o efeito do "não pensar", de não ter nada em mente, oco, vazio, nem um simples sopro. Simplesmente ser, estar, olhar, sem sentir, sem ver, sem tocar.
E não, não é porque hoje me apetece mandar palavras cá para fora, é mais porque tenho dentro de mim um vulcão a querer explodir e quando assim é preciso de me refugiar em coisas que digam por mim o que me vai na alma, já que não nasci com essa capacidade.
Por muito que saiba que não devo, que não posso e que não quero que isso aconteça, aconteceu.
Ressenti-me, senti-me ou sei lá como é que se chama a isto que sinto.
Um misto de tristeza, ansiedade, raiva, desconfiança. Atenção desconfiança de mim próprio.
Os escudos nem sempre são bem-sucedidos, nem sempre funcionam, em certas alturas do ano as defesas estão reduzidas, os sonhos falam mais alto, ficamos bem mais vulneráveis e pimba… Em suma as barreiras não foram suficientemente resistentes.
Mas o pior mesmo é o que sentimos, não temos como reclamar, por onde estrebuchar, com quem conversar e muito menos com quem descarregar porque são efectivamente só, e tão só, da nossa responsabilidade.
São sentimentos solitários, que custam a digerir.
De um momento para o outro encontram-nos num deserto imenso, perdidos em pensamentos a tentar desamarrar as cordas com que nos enrolámos. Sinto-me um fraco, mas talvez me calhe uma pontinha de sorte, até lá vou viver sem pensar.
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