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Algo que não se Esquece

"O Amor conquistado As Batalhas vencidas A tristeza perdida

domingo, 21 de abril de 2013

Silêncio - Mute



Estou a precisar do meu canto, do meu porto seguro. Tenho a cabeça a mil e sinto a força a definhar. O deixar andar tem sido uma constante, cedendo à tentação de uma felicidade relâmpago e fugaz, escondendo os meus medos mais profundos, virando as costas às minhas vontades e enterrando os meus sonhos lá no fundo. Parece aqueles sonhos maus em que se corre para chegar a um fim e esse fim não chega nunca mais. Preciso urgente de carregar baterias, por em ordem os quereres desta vida, relembrar valores, fixar objetivos e recomeçar a correr dentro de estabelecido. Pode ser que assim consiga chegar até onde só o meu sonho hoje alcança.
Agora sim, já percebi que uma coisa é pensar com a cabeça outra é pensar com o coração. Custou a chegar aqui.
O coração fechou temporariamente e a cabeça entrou em modo mute. Não vou falar sobre o que ele diz, são coisas boas mas não só, isto por uma razão é simples, pura defesa. Quando se sai de um quadro lindo mas sofrido, em que o coração manda na cabeça e não a deixa em paz com os seus “ses” e “mas”, quando se quer tudo menos entrar outra vez numa espiral sem retorno aparente, quando se está nos limites,  com um pé fora e outro dentro, quando finalmente o coração apesar de sofrer já consegue ter paz, aquela que não existia há muito... Então, a cabeça aproveita e aciona o tal modo mute.
Tudo quieto! Não vai lá atrás, não tenta ir lá a frente, não inventa, não faz filmes, não cria expectativas.
A intensidade de viver baixa drasticamente. A beleza da vida diminui, mas o coração para de sofrer, tem o descanso merecido.
Se é bom? Pois não sei, é no mínimo descansativo! Se é mau? Pois que também não sei, não se sente a vida, ela passa-nos por cima.
Sabemos que ela anda  algures por aí, que tem um montão de coisas fantásticas para nos dar, mas o medo de sofrer é maior. Muito maior.
Depois de tudo o que passei, ja chega. Quero viver, deixa-me viver.

"Escrevo porque não sei falar do que vejo, não sei explicar o que oiço, não sei dramatizar o que sinto. Escrevo porque ainda tenho calafrios no coração, porque perdi a ilusão, escrevo porque desisti de falar o que a boca não consegue dizer. Escrevo porque nada me resta, escrevo porque me faz viver.."