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Algo que não se Esquece

"O Amor conquistado As Batalhas vencidas A tristeza perdida

domingo, 7 de abril de 2013

Passado vivido, Passado perdido




Hoje já ri e já chorei. Os meus pensamentos vagueiam ao sabor dos estímulos que encontram. Os encadeamentos processam-se e desencadeiam associações de ideias e sentimentos que voam à velocidade da luz. Os estímulos ora são verdes, ora cheiram a terra molhada, ora são luz, ora pessoas a passar, conversas tidas, situações passadas, palavras perdidas, passarinhos a cantar ou simplesmente nada e do nada vem qualquer coisa e do qualquer coisa vem o nada e os pensamentos andam errantes de um lado para o outro, como um barco no meio de uma tempestade, fazendo o nosso momento.
Este momento é sentido, tem uma cor, um cheiro, um tacto, um sabor e tem ainda uma temperatura e um som e é este conjunto de sentidos que guardamos e registamos.
Já tentei perceber como é que se vive o aqui e agora sem sonhar com o futuro ou ir passear ao passado mas chego sempre à conclusão de que o que sinto é sempre em relação a qualquer coisa que já vivi. É a referência que fica, como uma semente que foi lançada e que fica latente até novo estímulo.
Assim, há estímulos que se repetem e quando se repetem reavivam em nós todos os momentos que vivemos e nele revivemos o passado como se tivesse sido hoje e, no hoje, vamos acrescentando mais uns pós que mais tarde se hão-de repetir novamente um bocadinho mais ricos e assim sucessivamente. Acontece que há uns momentos tão marcantes que se tornam presentes a toda a hora deixando em nós raízes profundas. 
Hoje chorei a saudade de momentos vividos, senti a nostalgia dos gestos perdidos, ri-me das asneiras feitas e das piadas repetidas, tive pena do que nunca vivi mas saboreei cada minuto que tive, cada lágrima que caiu e cada sorriso que me escapou. Foi um passado vivido, mas também um passado perdido.

"Escrevo porque não sei falar do que vejo, não sei explicar o que oiço, não sei dramatizar o que sinto. Escrevo porque ainda tenho calafrios no coração, porque perdi a ilusão, escrevo porque desisti de falar o que a boca não consegue dizer. Escrevo porque nada me resta, escrevo porque me faz viver.."