Ser apenas eu próprio
- 10:39
- by
- Ruben Brito
Paro por segundos e analiso toda a minha vida,
comparo como o mundo ao meu redor fosse uma desarrumação enorme que precisava
de uma grande limpeza, como se tudo o
que ficou para trás tivesse alguma culpa, como se toda essa gente que passou
por aqui se importasse com a minha vida.
E o pior é que eu acho sempre que tenho razão
nas coisas, que penso nas coisas que
falo. Porque na minha opinião, quando algo faz sentido há uma explicação
por trás de uma razão apresentada. Eu tentava sempre encontrar uma
solução no meio disso tudo, mas achava que não tinha como encontrar todas as
respostas sozinho, mas enganei-me.
Cheguei a achar que todas essas coisas eram
injustas, vazias e cheias de versões e inversões.
Uma tal raiva aparente que me pegava
totalmente desprevenido e sóbrio, que me deixava tonto e perdido. Às vezes
eu chegava a ser agressivo, um pouco irônico um tanto rude e frio, mas por
dentro era totalmente delicado e despreparado para todas as situações que
ocorriam na minha vida.
Estava farto daquelas coisas que as pessoas
não dão valor e ficam escondidas por trás de uma armadura que dificilmente
conseguem sair .
Na minha mente eu não conseguia entender o que
verdadeiramente eu andava a procura, o que realmente as pessoas queriam de mim.
Acabei por descobrir que a falta de algumas delas eram a liberdade que tanto
sonhava. De outras coisas eu ainda me pergunto o porquê de tanta
insensibilidade.
Tentei encontrar mil desculpas para o comportamento imbecil das
pessoas que eu amava. Foi então que resolvi encarar a realidade e me livrar de
tudo que não me fazia bem. E percebi que arrancaram o melhor de mim e devolveram-me doses exageradas de dor, raiva e
todos os despredicios que não lhes faziam falta. Sentia-me abandonado, mas isso
fez-me descobrir que tudo na vida não vale a pena se não desfrutarmos da nossa
própria companhia.
Sem querer aprendi as vantagens de ser só. A
partir desse instante passei a ter todos e tudo o que eu precisava, a ter sem
precisar, a conhecer sem pedir, a desfrutar sem saber. Flutuava por ai, mas
hoje mantenho-me com os pés bem no chão.
