Futuro entregue ao acaso
- 06:53
- by
- Ruben Brito
Ás vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, dizer tudo o que se tem a dizer, não ter medo de dizer ‘não’.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que mais se quer dizer, arrumar a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê forca e serenidade.
Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte. É preciso aprender que tudo tem o seu tempo e que esse tempo tem sempre um fim.
Às vezes mais vale desistir que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar.
Às vezes é preciso mudar o que não tem solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero e bater com a porta, apanhar o último comboio sem olhar para trás, esquecer a voz, o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não pedir nem dar, sair pela porta da frente sem a fechar, e partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar... O futuro é assim, vemos ele de olhos fechados, sem qualquer tipo de garantias. Entramos numa estrada sem qualquer tipo de direção uma estrada que não podemos voltar atrás pois estaríamos a recuar no tempo. Deixo o meu futuro entregue ao acaso, ao vento que levou o meu passado e me consegue levar em frente. Aprendi com ele, mudei de fraco a forte. Mas hoje sou apenas um reflexo na aguá de tudo aquilo que nunca deveria ter sido. Então o meu futuro que esteja pronto pois eu irei lá chegar.
