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Algo que não se Esquece

"O Amor conquistado As Batalhas vencidas A tristeza perdida

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sentimentos




No final de mais um dia, confesso às palavras a dor que sinto, a tristeza que me invade e a confusão em que vivo. 
Perco-me nas letras que cuidadosamente se formam em palavras de dor, de tristeza e de confusão.
São guiadas por um espírito desesperado e ganham a vida de uma alma cheia de sofrimento e de desânimo. Não interessa a forma que ganham enquanto os dedos digitam cada carácter, apenas a voz que desesperadamente gritam quando se realiza uma leitura rápida.
Liberto nas palavras o ódio que sinto por mais momentos de fracasso numa vida que caminha calmamente para o abismo. Um abismo que se vai anunciando aos poucos e isso…bem, isso tortura-me, tira-me o sorriso do rosto bem como a força que me resta.
Diante das letras, arranco a dor que me invade, a tristeza que me acompanha e a confusão que habita em mim.
Digo-lhes o que penso e elas juntas dizem-me o estado em que se encontra a minha alma.
Sem saber o que “dizer”, sem saber o que escrever, escuto a chuva que cai no telhado, o barulho que o vento calmamente tende a mostrar e ao respirar fundo sinto no meu interior o desespero…a tentativa do meu espírito se soltar…se libertar…da espécie de corrente sombria que lhe acorrenta a um sentimento de desespero e angustia.
Cansado desta sensação, hoje resolvi colocar a dor, a tristeza e a confusão num “saco”. A este saco dei-lhe o nome de “esperança” e bem apertado pousei junto ao parapeito da janela…na esperança que o vento o leve…e o abra bem lá no ar…e que a brisa húmida espalhe cada pedacinho de dor, cada bocadinho de tristeza e cada restinho de confusão que eu resolvi deitar fora…e quando acordar me sentir livre, com força e com a sorte que infelizmente não quer nada comigo.
Perdido nas palavras de dor, de tristeza e de confusão vou deitar-me e sonhar com um momento melhor…momento esse que numa situação idêntica me faça perder em palavras de alegria, de bem-estar e de certeza que tudo está no sitio certo.

"Escrevo porque não sei falar do que vejo, não sei explicar o que oiço, não sei dramatizar o que sinto. Escrevo porque ainda tenho calafrios no coração, porque perdi a ilusão, escrevo porque desisti de falar o que a boca não consegue dizer. Escrevo porque nada me resta, escrevo porque me faz viver.."